Meu filho fala errado. Até que idade isso é esperado?

Não existe uma idade limite a partir da qual a criança que apresenta alterações na fala deve procurar ajuda de um especialista. Depende muito do tipo de alteração que a criança apresenta, quais os sons que estão envolvidos e o quanto isso prejudica a sua comunicação.

As alterações de fala podem ser divididas em dois grandes grupos: desvios fonéticos e desvios fonológicos.

Desvios fonéticos

No desvio fonético a criança apresenta distorção na emissão dos sons da fala. As causas normalmente são orgânico/funcionais, como presença de alterações no frênulo lingual (“língua presa”), má oclusão dentária (mordida cruzada, mordida aberta ou ausência de dentes), flacidez da musculatura orofacial (língua, lábios e bochechas), amígdalas muito grandes, respiração oral e uso prolongado de chupeta ou sucção de dedo. Este tipo de desvio costuma acometer vários sons ao mesmo tempo e levar a uma fala imprecisa, “embolada”. Após avaliação minuciosa do fonoaudiólogo, se necessário, a criança será encaminhada para avaliação com otorrinolaringologista e/ou odontopediatra. Em muitos casos, a fonoterapia será postergada até que a causa orgânica seja sanada. Na dúvida, procure um fonoaudiólogo para orientação.

 

Desvios fonológicos

No desvio fonológico a criança apresenta uma desorganização do sistema de sons fala, sem uma causa aparente e geralmente com uma linguagem bem desenvolvida para a idade. Nestes casos, observa-se que a criança não adquiriu os sons que já eram esperados para sua idade ou apresenta trocas que não são comuns ao desenvolvimento normal da fala.

Após a avaliação é provável que o fonoaudiólogo solicite uma avaliação audiológica, para descartar a presença de uma perda auditiva, pois para falar corretamente é importante que a criança consiga perceber bem a diferença entre os sons.

Exemplos de desvios fonológicos:

– Trocas: “tasa” para casa, “dato” para gato, “suva” para chuva e “zelo” para gelo (anteriorização dos sons), “caleca” para careca, “poico” para porco (simplificação dos sons), “polo” para bolo, “teto” para dedo, “cato” para gato, “fofó” para vovó, “assul” para azul e “xacaré” para jacaré (ensurdecimento dos sons).

– Omissões: “pato” para prato, “panta” para planta, “pota” para porta, “caca” para casca.

– Acréscimos: “carderno” para caderno.

– Inversões: “mánica” para máquina, “preda” para pedra.

 

Como posso ajudar o meu filho?

Fale sempre corretamente com seu filho. Por mais que o seu jeito de falar possa lhe parecer bonitinho, não imite a sua fala, nem ache graça. Se ele não consegue produzir determinado som, também não insista para que repita de forma correta, pois isso pode fazer com que ele se retraia. Se o seu filho pronunciar uma palavra de forma errada, você deve responder ou fazer um comentário em que esta palavra apareça de forma correta. Por exemplo: se ele falar que viu uma “gilafa” no zoológico, diga “Uma girafa? E você gostou da girafa? Viu como o pescoço da girafa é grande?”. Oriente também os outros familiares e cuidadores da criança.

 

Quando procurar um especialista?

Você deve consultar um fonoaudiólogo se observar que o desenvolvimento da fala de seu filho não está compatível com o de outras crianças da mesma idade. Antigamente, quando as famílias eram numerosas esta tarefa era mais fácil. Atualmente é comum que a criança em questão seja a única criança da família e os amigos da escola passam ser a referência dos pais.

 

Quais os problemas que as alterações de fala podem causar?

O principal problema é a criança não se fazer entender, o que pode prejudicar a socialização com os amigos, a participação em atividades da escola, trazer constrangimentos para a criança e dificultar o processo de alfabetização. Se você observa que isto está acontecendo com o seu filho, independentemente da idade, procure um fonoaudiólogo.

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